Jornalismo On-line
O jornalismo on-line, na verdade, é um comportamento, não o meio onde se faz jornalismo. Pré-requisitos quase megalomaníacos são necessários para esse profissional. Porém, o trabalho será bem mais crítico, pois informação por informação se pega em blogs afora ou twittadas por aí.
Dizem que o futuro do jornalismo é se tornar on-line. Sim, eu concordo. Mas não necessariamente esse jornalismo futuro será todo na Internet. O que mudará de vez (e já em pouco tempo) não será o meio onde se expõe o jornalismo, mas sim o comportamento do fazer jornalismo.
Falar de On-line é falar de um perfil, de um comportamento, não necessariamente do meio Internet. A visão reducionista de que On-line é pela Internet deve ficar para trás em breve, pois On-line vem deixando de ser um local para se tornar um espírito.
O jornalista on-line é aquele preparado para fazer jornalismo onde quer que esteja, com as bugigangas tecnológicas que tiver em mãos e pronto para interagir com o mundo inteiro. É aquele que sabe não apenas conversar e colher uma boa informação, mas também colaborar, trocar dados, despir-se de preconceitos e sempre ter um espírito aventureiro e analítico.
O jornalista on-line é aquele que se especializou e aguçou seu senso crítico, pois ele sabe que a informação pela informação já se encontra em qualquer blog leigo ou em uma twittada por aí. O famoso furo foi para o espaço, pois o próprio ator do evento já twittou o ocorrido.
O que traz público ao jornalista on-line é o outro lado da informação que ele mostra, o material especializado que ele produz e sua habilidade de usar todos os canais tecnológicos para compor seu trabalho.
Sim, ao que tudo indica, o jornalismo em geral faturará menos, pois nem todos conseguirão ser ousados, aventureiros, rápidos, analíticos e ainda conquistar fãns. Contudo, aqueles que se sobrepuserem, conseguirem trabalhar nesse total-mídia, ganharão uma visibilidade (e logicamente verba) em uma velocidade e amplitude dificilmente alcançadas pelos meios tradicionais.
Procura-se sim jornalista on-line, de quem se espera:
1) Descobrir, selecionar, visitar, receber, tratar e trocar informação;
2) Realizar todo item 1 ao mesmo tempo, com habilidades em:
a. Pesquisa de Blog;
b. Interação em Rede Sociais (Twitter, Orkut, Facebook, Youtube, Digg, Delicious etc.);
c. Tecnologia mobile para foto, áudio, vídeo, texto e acesso web;
d. Instant Messengers;
e. Edição multimídias (nível básico);
3) Ter bom desenvolvimento analítico e crítico;
4) Ser blogueiro e webwriter;
5) Entender de Arquitetura da Informação e Usabilidade;
6) Ter personalidade para manter um público fiel;
7) Saber cultivar relacionamentos.
Acima de tudo isso, acrecentando, procura-se um profissional que ame o que faz e que goste de se aperfeiçoar. Assim é o jornalismo on-line.
DICAS DE LEITURA ON-LINE:
Jornalismo Digital de Terceira Geração – Suzana Barbosa
Manual Laboratório de Jornalismo na Internet – Marcos Palacios e Beatriz Ribas
O Ensino do Jornalismo em Redes de Alta Velocidade – Organizado por Elias Machado e Marcos Palacios










Muito pertinente seu post! Parabéns!
Vale, na minha opinião, lembrar o seguinte – Apesar das empresas jornalísticas não mais se sustarem pelos ‘furos’ que dão, elas aindam buscam profissionais de substância. Ou seja, de que vale ter ativados todos os canais de comunicação, se você não vai preencher esses canais de informação realmente pertinente?
é importante criar uma certa fidelidade com os leitores e os contatos que são agentes na sua produção de conteúdo, uma vez que eles irão reconhecer uma qualidade que dá diferencial ao que está sendo produzido, diante do inumero volume de conteúdo volátil que se encontra na web.
Por isso é importante também conhecer bastante sobre o que se escreve e o contexto em que a notícia se insere, assim o jornalista on-line pode aprovetar da maneira mais criativa o conteúdo; estratificando a informação, potencializando os recursos multimídia e escolhendo os mellhores meios para disseminar a informação e colher retorno consistente como por exemplo novas fontes.
“On-line vem deixando de ser um local para se tornar um espírito.”
Essa frase desencadeia uma baita reflexão… E se no jornalismo impresso ou televisivo já acontecem erros monstruosos de dados mal compilados e transmitidos ou, pior, dados “ingenuamente” criados para dar mais credibilidade à informação. Imagina isso tudo na internet, onde é gigantesca a porcentagem de erros dos dados postados por usuários.
Fala-se também na substituição do meio impresso pelo meio virtual. Tem gente que não acredita nisso. Tem gente que fala que isso vai limitar a informação à quem usa internet. Mas o jornal, de certa forma, também limita a informação à quem o compra, à quem o assina… Talvez seja meio equivocado isso tudo. Agora é esperar pra ver.